Lógica poderia ser entendida,
levando em consideração nossas pretensões neste trabalho, como estudo das
condições em que podemos afirmar que um dado argumento é correto ou não por
meio de um raciocínio linear. Este ramo da ciência e do pensamento foi
desenvolvido por filósofos como Parmênides e Platão. Mas foi Aristóteles
quem o sistematizou e definiu a lógica como a conhecemos, constituindo-a
como uma ciência autônoma. Falar de Lógica, durante séculos, era sinônimo de
lógica aristotélica, daquela que tinha como objetivo suscitar a capacidade
de argumentação dos indivíduos. Apesar dos enormes avanços da lógica,
sobretudo a partir do século XIX, a matriz aristotélica persiste até aos
nossos dias.
Durante a Idade Média, foram
realizados notáveis progressos na lógica aristotélica. A lógica tornou-se
mais sistemática e progressiva, com a concepção do projeto de mecanização da
lógica dedutiva, idéia mais tarde desenvolvida por Leibniz. Nesse mesmo
período histórico, a lógica era entendida como a "ciência de todas as
ciências". Competia-lhe validar os atos da razão humana na procura da
Verdade. De acordo com o pensamento corrente no tempo, o saber científico
tinha que obedecer à lógica formal. A partir de um conjunto de princípios
universais admitidos como verdadeiros, por um processo dedutivo procurava-se
encontrar a explicação para todos os fenômenos particulares. Embora este
método fosse igualmente preconizado por Aristóteles, na Idade Média deu-se
uma enorme importância à dedução, desvalorizando-se por completo a indução
na descoberta científica. Este fato teve como conseqüência o corte com a
base empírica da investigação.
Gottfried Wilhelm Leibniz
(1646-1716) ocupa um lugar especial na história da lógica. Este filósofo
procurou aplicar à lógica o modelo de cálculo algébrica da sua época. Esta é
concebida como um conjunto de operações dedutivas de natureza mecânica onde
são utilizados símbolos técnicos. Era sua intenção submeter a estes cálculos
algébricos a totalidade do conhecimento científico. Em sua obra
“Dissertação da Arte Combinatória”, apresenta os princípios desta nova
lógica:
·
Criação de uma nova língua, com notação
universal e artificial;
·
Fazer o inventário das idéias simples e
simbolizá-las de modo a obter um "alfabeto os pensamentos" simples, expresso
em caracteres elementares;
·
Produzir idéias compostas combinando estes
caracteres elementares;
·
Estabelecer técnicas de raciocínio
automáticas, de modo a substituir o pensamento e a intuição por um cálculo
de signos.
O raciocínio torna-se, neste projeto de Leibniz, um cálculo possível de ser
efetuado por uma máquina organizada para o efeito. Esta idéia inspirará, ao
longo do tempo, não apenas o desenvolvimento da lógica, mas a criação de
máquinas inteligentes. Podemos pensar então na lógica como uma ciência, ou
talvez como uma ferramenta que teria por função orientar o raciocínio dentro
de um plano da razão.