Existem diversas maneiras de abordar a construção, a
propagação e a organização do conhecimento. Entre estas abordagens, uma que
certamente está tomando fortes proporções nas últimas décadas é da
interdisciplinaridade. São comuns, hoje, os grupos de pesquisadores que
trabalham de forma interdisciplinar para tentar dar conta de resolver
questões que exigem a cooperação de vários campos de conhecimento e
pesquisa.
A escassez de barreiras nas comunicações, a
universalização das informações, e a complexidade da cultura e das relações
no mundo atual exigem uma reflexão tão multifacetada quanto essas mesmas
relações, de maneira que devemos analisá-las através dos mais diversos
olhares.
Assim a interdisciplinaridade faz uma crítica à
segmentação do conhecimento e à uma visão compartimentada (disciplinadora)
da realidade, que a toma como um conjunto de dados estáveis, sujeitos a um
ato de conhecer isento e distanciado. Esta análise compartimentada da
realidade necessariamente se afeta pelas limitações da segmentação do
conhecimento.
Devemos, portanto, olhar a história da humanidade
considerando que as experiências coletivas e individuais são marcadas pelos
mais diversos aspectos: sociais, culturais, econômicos, religiosos,
geográficos, biológicos, entre outros tantos. Para abarcar tantas e tão
multifacetadas experiências se faz imprescindível uma compreensão global das
relações e influências desses diversos fatores.
Numa sociedade em que a transformação e a mudança são
as palavras de ordem não podemos abrir mão de oferecer uma formação que
permita ao individuo se posicionar de maneira flexível, solidária,
democrática e crítica, sabendo apontar e questionar sobre os diversos
fatores que interferem em determinadas questões, além de saber formular
diferentes caminhos para a resolução de conflitos.
Outro questionamento apontado pela
interdisciplinaridade é a dicotomia produzida pela organização da sociedade
capitalista entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, entre o
trabalho de pesquisa e a aplicação, assim como o desprestígio positivista em
relação a características como a imaginação, a criatividade, a intuição ou a
incerteza.
Desta maneira acreditamos que o trabalho associando
conteúdos das áreas de matemática e dança pode proporcionar aos alunos que
tenham um contato mais integral com o conhecimento que estão adquirindo, de
maneira que possam entender mais claramente o sentido da aprendizagem além
de poder vivenciá-la de forma mais ampla e lúdica.